quarta-feira, 29 de julho de 2015

Desenhos Bandeiras e escudos (4)

Tradicional dragão anglo-saxônico. Bandeira do Rei Artur e primeira bandeira da Inglaterra.
Bandeira do País de Trègor (Bretanha)
Dragão do antigo Reino Anglo-Saxônico de Mércia
Dragão da Bandeira de Somerset (Inglaterra)
Bandeira de Gales e o seu dragão vermelho
Bandeira do Reino de Wessex
Dragão irlandês do livro de Kells
Bandeira do Concelho galego de Vedra

Desenhos Bandeiras e escudos (3)

Segar's Roll. 1282
Porta de Betanços. Século XV
Viveiro. Século XV
Armorial Redinghoven. 1440
Hernandez de Mendoza. 1497
Nicolas de Lutzenbourg. (1485?-1547).
Grande Carro triunfal de Maximiliano I. 1515
1515
Anton Tirol's Wappenbuch. Año 1540.
Armorial de Arlberg Bruderschaft, 1548.
Armorial de Arlberg Bruderschaft. 1548.
Historia originis et succesionis regnorum et imperiorum a Noe usque ad Carolum V, ano 1548.
Virgil Solis Wappenbuchlein.1555
Pompas Carlos V. Jean e Lucas Doetecum (séc. XVI)
Universeel wapenboek. 1558.
L´armorial Le Blancq, contra 1560
Le blason des Armoiries. 1581
Armorial Großes Wappenbuch.1583
Fernando de Ojea, Descripcion del Reyno de Galizia, 1603.
Armorial de Johann Siebmacher, publicado em 1605.

Coroa de Castela. Ano 1607, Museu de Santo Antão (Crunha).
Descripción de la costa del reyno de Galizia, cartografía de Pedro de Teixeira Albernas, hacia 1625.
Portada da Cédula de Comércio em favor da Companhia de Comércio do reino de Galiza, 1734
Armas do reino de Galiza, na obra "Reino de Christo Sacramentado y primogénita de la Iglesia entre las gentes, ano 1750.
L’Enciclopédie, Didelot y D’Alembert.siècle.XVIII. 1751
século XVIII. Fonte da Fama (Ferrol)

Desenhos Bandeiras e escudos (2)


Imagem nº 1: Texto do Concílio de Lugo de 569 recolhido por Garcia de Loaysa em 1593 dum códice do século XII (hoje perdido)

Desenhos, Bandeiras e escudos (1)

Imagem nº 1: Bandeira da Monarquia Sueva

Imagem nº 2: Escudo suevo no livro "El Blasón Español o la Ciencia Heráldica” de Ramón Medel publicado em 1846
Imagem 3a: Mapa de Fernando de Ojea 1603
Imagem 3b: Escudo do mapa de Fernando de Ojea. 1603

Imagem nº 4: Primeira representação do Escudo de Galiza no Segar's Roll. 1282
Imagem nº 5:Escudo de Coimbra
Imagem nº 6:Escudo de Alcofra
Imagem nº 7:Bandeira sueva segundo Tomás Rodrigues (AGALIA 102. 2º Semetre de 2010. Pags: 221-241

quinta-feira, 16 de julho de 2015

O amor de Atacés (Rei dos Alanos)


Por: As Nossas Letras
Em 411 o imperador Honório, após um prolongado período de guerra civil, estabeleceu um pacto com os Alanos que lhes concedia a Lusitânia. Lá fundaram seu reino sediado em Pax Julia, a actual cidade de Beja, em Portugal. Foi esta região habitada pelos Romanos. Porém, quando da invasão dos bárbaros, as províncias foram jogadas à sorte e a Lusitânia coube aos Alanos. O seu rei chamava-se Resplendiano; mas foi morto e logo foi jurado seu sucessor o jovem Atacés.
Os Suevos tinham como rei Hermerico, o qual governava a Galiza. Hermerico tinha uma filha muito bela chamada Cindazunda.

Cerca do ano de 417, Ataces desejando mais terras, saiu com o seu exército invadindo os territórios dos Suevos, ao qual tirou todo o território que lhe tocou receber ainda incluído nos limites da Lusitânia, Os alanos não conseguiram, apesar de muitos esforços, conquistar Festabole, devido o apoio dos romanos locais aos suevos, os Alanos empurram os Suevos até à margem direita do rio Douro, onde hoje se situa a cidade do Porto. Os Alanos foram posteriormente expulsos pelos Suevos continuando a guerra mais para Sul e chegando a Conínbriga que depois de ser destruída completamente por Atacés, decidiu fundar ou restaurar uma outra com o mesmo nome na margem direita do rio Mondego.
Quando Ataces andava a dirigir a edificação dessa nova Coimbra, eis que subitamente surge o rei suevo Hermerico com o seu exército novamente, para dela se apoderar e se vingar de derrotas sofridas. O combate que se travou entre as duas facções foi de tal modo sangrento que as águas do Mondego se tingiram de vermelho.
Hermerico retirou-se para o Norte, mas Ataces foi em sua perseguição e o rei suevo viu-se forçado a pedir a paz. Esta paz foi celebrada com grandes festas apesar da guerra em que estavam empenhados. Vieram princesas e príncipes, gente de várias cortes. Entre os convidados estavam a princesa Cindazunda, ainda muito jovem, e a sua aia Ermesinda. Como é de regra em tais casos, diz a lenda que Cindazunda era extremamente bela e que Ataces logo dela se enamorou.
Soldado Alano
Em dado momento, Ermesinda segredou à sua ama:
— Repara, Senhora, como o rei Atacés te olha!
Cindazunda corou.
— Assim é. Já o tinha notado.
— Vamo-nos para outro local onde ele não te possa olhar tanto.
— E porquê, Ermesinda? Não é ele um rei e eu filha de outro rei?
— Mas bem sabes o que se diz no nosso reino. Atacés é muito poderoso e ambiciona unir o reino dele ao teu.
— Pois que os reúna!
— Que dizes? Queres mais sangue a correr?
— Porque haveria sangue?
— Porque ele mira-te, mas não casará contigo. Só ambiciona conquistas! Cedo o seu exército entrará pelas terras que teu pai conquistou. Atacés é um inimigo. Não te iludas!
Cindazunda sorriu. Parecia não ouvir a dama de companhia. Olhava em frente, numa expectativa. Ermesinda seguiu o seu olhar. E viu então que o jovem rei se dirigia na direcção da princesa. Chegando junto dela sorriu-lhe e perguntou:
— Como te chamas?
Sem qualquer retraimento, a jovem retorquiu:
— Meu pai disse-te o meu nome quando me apresentou. É assim tão fraca a tua memória?
Ele voltou a sorrir, agora mais abertamente.
— És pouco prudente mostrando-te tão orgulhosa com o rei dos Alanos, que o é mais ainda. Mas sempre te digo que não cheguei a ouvir o teu nome.
— Porquê?
— Porque no momento em que surgiste na minha frente, tudo o mais deixou de existir. E como não falaste… contemplei-te apenas.
A princesa olhou-o com gaiatice.
— Sou para ti a jovem mais bela desta festa?
— Sem dúvida!
— Pois tu és o homem mais atraente que tenho visto e voltarei a ver!
E sem dar tempo ao rei dos Alanos para impedir a sua retirada, correu para junto do pai. Perto dele estava Karim, o lugar-tenente do rei dos Vândalos. Dir-se-ia estático, tão embevecido era o seu olhar. Contemplava Cindazunda. Mas esta teve um arrepio de medo ao notar tão grande interesse da parte de Karim.
Guerreiro Suevo
Alguns meses passaram. A luta continuava. Hermerico, o rei dos Suevos e pai de Cindazunda, tomou Lisboa e quase toda à costa até ao Algarve. Porém Atacés, que era nessa época o rei mais poderoso, rompeu guerra com Hermerico, receoso que este se engrandecesse demasiado e lhe fizesse sombra. E porque o seu entusiasmo e força eram superiores, conquistou aos Suevos muitas cidades.
Estavam as coisas neste ponto, quando Ermesinda e Cindazunda, nos seus aposentos favoritos, conversavam. Dizia a princesa:
— Os homens são uns insensatos. Desperdiçam o melhor dos seus anos a matarem-se e roubarem-se mutuamente!
A aia admirou-se.
— Que dizes, princesa?
— A verdade! Que têm feito meu pai e Atacés durante os seus anos de reinado?
— Oh, cala-te, por favor! Teu pai tem alargado o seu reino que era pequeno. É decidido e forte!
— Não te iludas para me iludires! Acaso um rei só é poderoso quando rouba aos seus vizinhos pela força?
— Oh, cala-te! Estás a dizer coisas incríveis!
— Digo a verdade! Basta que penses um pouco sobre tudo isto.
— Como querias, então, que um rei procedesse?
— Espalhando a paz e o amor pelos seus súbditos!
— Para haver paz, teríamos de voltar costas à guerra.
— Pois voltaríamos. Não me importava de ter como pai um rei menos poderoso, mas que desse mais felicidade ao seu povo.
— E os outros? Os outros respeitariam essa paz? Lembra-te de Atacés. Nem esse escapou. São todos os mesmos! Agora, só o rei dos Vândalos nos poderá ajudar.
— Porquê o rei dos Vândalos?
— Porque teu pai, segundo consta, vai pedir-lhe auxílio contra Atacés.
— E que pedirá o rei, em troca?
— Talvez a tua mão para o seu sobrinho Karim.
Cindazunda gritou:
— Nunca!
— E porquê?
— Não sabes que o detesto?
— Porque amas a quem não devias amar!
— Detesto-o porque o acho repelente!
Princesa Cindazunda
 Nesse mesmo instante a aia tapou-lhe a boca com a mão. Parecia seriamente assustada. A princesa perguntou:
— Que tens?
A resposta deu-a uma terceira pessoa que estava escondida atrás de uma coluna.
— Ermesinda assustou-se... porque sabia que eu estava aqui!
A princesa olhou indignada a sua aia.
— Como pudeste esconder dentro da nossa casa Karim, o homem que eu detesto?
A aia não respondeu. Mas Karim adiantou-se:
— Venho buscar-te.
— Com que direito?
— Com o que me dá a razão. Amo-te e podes ser minha. Por que hei-de deixar-te para o outro?
— Porque não te quero. Matar-me-ei se me tocares!
— Atacés é inimigo de teu pai. Acabará por destruir o teu império se o meu tio não te ajudar. E só te ajudará se eu quiser.
Nesse momento ouviu-se grande alarido. Gritavam nas ruas:
— Vem aí Hermerico!... Vai acabar a guerra!...
A jovem correu para fora do aposento e misturou-se com a multidão. Karim, que lhe fora no encalço, conseguiu alcançá-la. Tomou-a nos braços, no intuito de a raptar. Ela gritou. Rodearam-na. Voltaram para o palácio. Karim procurou desculpar-se perante o rei dos Suevos:
— Quis apenas proteger a tua filha que perdeu a cabeça e se misturou com o povo.
O rei indagou, sereno:
— Por que estás entre os meus?
— Porque vim trazer-te auxílio do rei dos Vândalos contra o rei dos Alanos.
— E que pede o teu rei em troca?
— A Turdetânia para ele e a tua filha para mim.
Sorriu Hermerico.
— Chegaste tarde. Diz ao teu rei que estou negociando a paz com Atacés.
— Tu... a negociares a paz... depois do que ele te fez?
— Sim, eu! Essa é a vontade de minha filha e vou tentar realizá-la.
— E Atacés aceita?
— Sim!
— E quais as condições?
— Apenas...
O rei calou-se. Olhou a princesa. Depois tocou-lhe com uma das mãos no rosto:
— Filha, podes escolher entre Karim e Atacés. Ambos pedem a tua mão como medida de paz.
Sem hesitar, Cindazunda perguntou:
— Quem fez a proposta? Foste tu ou o rei dos Alanos?
— Foi ele. Mas podes rejeitar, se o entenderes.
Ela sorriu.
— Pois diz ao rei dos Alanos que não é preciso esconder-se sob disfarce para ouvir da minha boca o que penso dele. Se é tão valoroso como penso, que se descubra e escute.
Hermerico I da Galiza
Com grande pasmo da assistência, um guerreiro que estava perto do rei Hermerico tirou uma cabeleira esbranquiçada e apresentou-se ante a princesa.
— Aqui estou, Cindazunda, para ouvir a tua sentença.
— Não a adivinhas?
— Quero-a confirmada pela tua boca.
— Pois serei a mulher mais feliz do meu e do teu reino se for tua esposa!
Nesse mesmo momento o rei Hermerico deu um grito.
— Prendam Karim!
Houve alarido. Karim preparava-se para matar Atacés à traição. Mas os homens do rei dos Alanos maniataram Karim e levaram-no. Então o rei mandou que a corte se retirasse. Ficaram apenas dois homens de confiança de Hermerico, dois de Atacés, os dois reis e a jovem princesa.
Frente a frente, os enamorados fitaram-se. Não se podendo conter, Atacés abraçou a jovem.
— Querida! Como pude viver sem ti todos estes meses! Imaginei esta guerra para te possuir, caso quisesses fugir-me! Perdoa-me não ter confiado em ti, não ter adivinhado que me querias também, tal como adivinhaste que viria buscar-te!
Ela agarrou-lhe um dos braços tão habituados à luta.
— Duvidaste… porquê?
— Não sei... Pela primeira vez tive medo!
— Se tivesses escutado com atenção as palpitações do teu peito, terias ouvido a minha voz a chamar-te. Sempre te chamei! Bradava o teu nome na solidão do meu pensamento. Bradava com ânsia, no desejo de me atenderes!
— E aqui estou para todo o sempre! Hei-de amar-te como nenhum rei amou a sua esposa!
— E o nosso reino viverá dias de paz e amor!
Calaram-se os dois. Lá fora, a tarde escondia-se languidamente, embalada ainda pelas apaixonadas promessas de dois jovens belos, de ânimo forte, poderosos e constantes. Vem o régio par de noivos a caminho de Coimbra, acompanhado de sogro e pai, e em breve se realizam os esponsais e bodas, com a magnificência devida.
Para comemorar tão extraordinário acontecimento, Ataces concedeu à cidade de Coimbra o brasão que ainda hoje se mantém no fundamental. A donzela coroada é Cindazunda; a taça representa o seu casamento com Ataces; o leão é o timbre de Ataces; o dragão, o timbre de Hermenerico.

 
  1. Fonte Biblio MARQUES, Gentil. Lendas de Portugal. Lisboa, Círculo de Leitores, 1997 [1962] , p.Volume V, pp. 213-217. Place of collection Manhouce. SAO PEDRO DO SUL. VISEU. http://www.lendarium.org/narrative/lenda-do-grande-amor-de-ataces/?tag=3994



segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Fraga "lusista"?




Governando o Manuel Fraga Iribarne em Galiza lá pelo ano 1991, foi nomeado pela Academia da História de Portugal como académico de mérito em Lisboa (25 de Janeiro de 1991). A comunicação que apresentou no seu nomeamento levava por título "A Galiza e Portugal no Marco Europeu". Posteriormente o texto foi publicado num livro com o mesmo nome. O engraçado do assunto é que pouco tempo depois...por volta do dia 23 de Outubro de 1992 o texto foi aproveitado pelo Jornal "Arco Atlântico" publicado pela "Xunta de Galicia" em cujo número 1º da primeira edição e na página três dizia o mesmo que punha no começo do livro e na sua comunicação de Lisboa...mas com um pequeno pormenor de diferença:

"É un encontro a que nos chama a pertenza xeográfica a un mesmo espacio físico, a herdanza cultural de LINGUAS CON RAÍCES COMÚNS, un patrimonio cultural multisecular...."

Pena que eu não conseguisse um exemplar do número 1º do "Arco Atlântico"...mas em troca sim consegui o livro. Eis umas imagens...: